Quando o barato sai caro e a pessoa insiste no erro

25 de Março de 2010 às 15:59 Edgar Serra Editorial Sem comentários

Esse artigo não é de dicas de programação, mas de algo tão interessante quanto: Quanto o barato sai caro.

Semana passado uma pessoa entrou em contato conosco, ela havia contratado um serviço com uma empresa e o mesmo não havia sido realizado a contento. Segundo essa pessoa havia vários bugs no sistema e o mesmo ainda tinha partes não desenvolvidas, ainda de acordo com a pessoa a empresa já havia recebido pelo serviço e entendia que não devia mais terminar o sistema pelo baixo valor cobrado.

O sistema em questão é (ou era para ser) um novo gateway de pagamentos, como Pagseguro ou Pagamento Digital, a pessoa me passou toda a descrição do sistema, um documento em PDF de ‘meras’ 71 páginas, onde tudo era muito bem descrito. Após ler o documento, analisar parte dos scripts que haviam sido entregues e concluir que seria mais barato refazer tudo do que aproveitar o que havia sido feito (tudo estrutural, muitos bugs, nenhuma documentação), fiz a proposta para desenvolver o sistema, a resposta do cliente: Está muito caro!

Bom, antes de qualquer coisa eu pergunto: Alguém acha que um gateway de pagamento nos moldes do pagseguro custa R$5.000,00? Essa pessoa acha, tanto é que, segundo ela, foi esse o valor cobrado pela outra empresa. Ai me vem a segunda questão, nesse caso retórica: O serviço foi executado pelos R$5.000,00? Pois é, claro que não.

Um dos problemas da informática em geral é que as pessoas não conseguem mensurar o valor agregado que alguns serviços têm, e que por trás de coisas simples existem operações complexas, assim, um sistema de gateway até pode parecer simples para quem usa, mas está muito longe de ser simples na parte do desenvolvimento, já que têm inúmeros detalhes técnicos.

Não vou citar o valor que nós orçamos para essa pessoa, já que um programador orçou o mesmo sistema com a gente (ou seja, ela queria nos terceirizar para desenvolver o sistema para essa pessoa), o que posso dizer é que esses R$5 mil não chegam nem a 10% do valor de um projeto desse porte.

No preço que uma empresa cobra não está apenas o trabalho do funcionário, estão as contas de luz, água, etc, o aperfeiçoamento profissional dos colaboradores, além de algo muito importante: o suporte técnico. Pois é, muitas pessoas/empresas se esquecem de colocar no valor o suporte técnico que deverão (ou deveriam) prestar para os clientes e que tem um bom impacto no custo do projeto.

Por fim, assim como na vida ‘real’ ninguém compra um carro pela metade do preço sem desconfiar, desconfie quando for contratar um serviço que tem um orçamento muito fora da realidade, faça mais de um orçamento, analise, solicite que a empresa ou profissional autônomo lhe entregue o orçamento detalhado, assim você saberá exatamente o que contratou pelo preço cobrado.

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